[RESENHA] Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Por Lugares Incríveis

 

Existem diversos tipos de livros, para cada tipo de gosto e cada um com um objetivo .

Existem aqueles para fantasiar, para nos desligar do mundo atual, para nos aventurar em terras que tudo é possível.

Existem aqueles para se apaixonar, para amar, para sonhar.

Existem aqueles para sorrir, entreter e deixar a vida mais leve.

Enfim, a lista é enorme, e onde eu estou querendo chegar com tudo isso?

Dizer que também existe aquele livro que é um soco de realidade, que nos faz enxergar a vida diferente, que vem para abrir nossos olhos para uma realidade negligenciada. Sim, caros leitores, esse livro é desse tipo, e o pior – ou melhor – é que ele começa de forma bem inocente, parecendo mais uma história de amor problemática entre dois jovens.

 

“Não sou perfeita. Tenho segredos. Sou uma bagunça. Não só meu quarto, mas eu mesma. Ninguém gosta de bagunça. As pessoas gostam de Violet que sorri.” – Violet em Por Lugares Incíveis.

 

E mesmo tendo sido avisada por vários leitores que ele iria me fazer chorar e já imaginando qual seria o final, nada foi suficiente para me preparar emocionalmente para o que esse livro representa, porque ele vai muito além de sua história, ele vai descascando nosso coração aos poucos, com cada palavra, com cada forma de expressão e frases.

 

“Não mais enraizada,, mas dourada, fluida. Sinto mil capacidades brotarem em mim.” – Violet em Por Lugares Incríveis.

 

Não me apaixonar por esses dois personagens foi impossível. Me envolver com a trama foi automático, e largar o livro para dormir? Nem pensar!

Precisava saber onde tudo ia dar, a trama foi toda amarrada de forma a ser revelada aos poucos, com todo o cuidado de uma escrita leve e ao mesmo tempo intensa. Doce, mas também amarga.

 

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre do sino se você estiver ao lado da pessoa certa.” – Finch em Por Lugares Incríveis.

 

Pensei bastante antes de escrever está resenha, me perguntava como iria indicar esse livro se ele partiu meu coração em mil pedaços?

É um livro com tema forte e nada do que eu poderia escrever iria fazer jus ao seu conteúdo. No incio da leitura, imaginei que seria um livro suave e fofo, pois ele tem uma escrita bem agradável e simples e ao desenvolver da trama fui ficando cada vez mais presa. Fui conhecendo Finsh e suas idéias, seu modo de pensar e me apaixonei perdidamente. Cada palavra e cada diálogo vai sendo explorado de forma incrivelmente cativante. Acabei lendo tudo em um dia.

A verdade é que esse livro me tocou de uma forma diferente, em lugares pouco visitados de minha mente, me fez querer olhar para as pessoas de outra forma, mas também me abril para novos sentimentos, para sentir tudo verdadeiramente.

A forma como Finsh saboreia cada palavra é no mínimo inspirador.

 

“E se a vida pudesse ser assim? Só as partes felizes, nada das horríveis, nem mesmo as minimamente desagradáveis. E se a gente pudesse simplesmente cortar o ruim e ficar só com o bom? – Finch em Por Lugares Incríveis.

 

Pressão, perdas, negligência, separação, bullying, adolescência, sonhos…

O livro é duro, porque aborda vários assuntos fortes e um deles é o Transtorno Mental e Emocional (depressão, ansiedade, instabilidade mental ou pensamentos suicidas).

A mente é algo incrível, capaz até de nos prejudicar. É certo que a ciência ainda esta tentando desvendar esse labirinto que é nosso cérebro e que ainda temos que fazer muitos avanços nessa área, mas esses transtornos podem ser tratados, sim!

Mas infelizmente ainda existem muitos tabus em cima dessa doença, tanto por quem sofre desse mal, que acaba com medo de ser taxado de “doido” ou por conta da sociedade, inclusive da própria família, que faz pouco caso, acham que é “frescura”, não dão a importância necessária para essa doença que é tão grave quanto o câncer. Exagero? Não, elas atacam de forma diferente, mas são tão devastadoras quanto.

 

Não são muitas pessoas que diriam isso de mim, mas um ponto positivo da vida é que podemos ser alguém diferente para cada pessoa. – Finch em Por Lugares Incríveis.

 

Cada individuo é único em sua complexidade, essa é a magia da natureza, então porque julgamos os outros com base no que nós vivenciamos?

E foi esse o ponto mais crucial do livro, ele nos da uma nova perspectiva. Abre nosso leque de mundo. Nos faz sentir e compreender um pouco como se sentem as pessoas que sofrem com qualquer um desses transtornos, mas só quem já passou/passa é que sabe realmente como é ser escrava de sua própria mente.

 

“As vezes as coisas são como verdade para gente, mesmo que não sejam.” – Finch em Por Lugares Incríveis

 

A história começa com dois jovens que se conhecem em uma tentativa de suicídio, e é a partir daí que esses jovens passam a se conhecer e uma vontade de ficar junto começa a surgir.

Eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que os lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo.

Mas será isso suficiente para curar todas as feridas que habitam seus corações?

 

 

 

“A cada quarenta segundos, alguém no mundo se suicida.”

Não guardem tudo para vocês, conversem com alguém. Se abram. Se não existe essa opção em casa, procure amigos, existe muitos grupos de apoio, usem a internet a seu favor.

Uma opção é o CVV – Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntariamente e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

 

“Se você acha que algo está errado, fale.

Você não está sozinho.

Não é culpa sua.

Existe ajuda pra você.”

100 dias de sensualidade – Quentinha do mês

Mais um quentinha do mês no ar! Dessa vez uma indicação nacional, recheada com 100 contos para todos os gostos. A leitura é super rápida e leve – pra mim ao menos, vocês sabem que aqui não tem frescura, que curto ler de tudo – e só lamento de ter lido tão rápido, mesmo intercalando com outros livros. Para saber mais, basta assistir o vídeo!

xoxo

Um pouquinho mais sobre a FML Pepper e a trilogia Não Pare!

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A FML Pepper comendo Bolo de rolo! Sim, o #2DB distribuiu bolinhos de rolo entre os autores, leitores, amigos e parceiros! hehe

Antes de mais nada: Participe de nossa campanha!!! Queremos muito a FML Pepper e a Tammy Luciano em Recife! Para participar, basta confirmar sua presença CLICANDO AQUI! Aproveite e chame mais 5 amigos! hehehe

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Ah! A Bienal do Rio foi incrivel e dois autores nacionais merecem total destaque: a FML Pepper e o Raphael Montes.

Como vocês já sabem, já fiz uma resenha em vídeo do 1 livro da série, o Não Pare! Não assistiu? Bem é só clicar no vídeo.

Hoje vou falar um pouquinho sobre as curiosidades da série e da autora. Além de ser super comunicativa e mega animada a vi de pertinho a Pepper receber cada um de seus leitores de braços abertos. Melhor que isso, ela deixou claro que o meme “Queria estar morta” foi elevado para um nivel altissimo.

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Vai dizer que você não iria querer morrer também? Mirelinha aqui ainda está desmaiada! 

A Pepper é uma apaixonada por livros e literatura. Fã de Harry Potter de carteirinha, ela curte muito literatura juvenil e foi enquanto lia “A menina que roubava livros” que teve a ideia de escrever “Não Pare!”. Quem leu a série sabe que ela é bem fora da curva, bem diferente das muitas que temos no mercado atualmente. Pepper tem uma escrita leve, envolvente, e não faz o mais do mesmo de cair só no romance. Aventura também está e muito presente no seu livro. Mesmo tendo uma protagonista feminina em seu momento de “ponto de virada” como a maioria dos livros do gênero é gostoso demais ver como acaba se destacando das demais.

Para quem não sabe, a Pepper começou como autora independente na Amazon. Ela é uma autora Best Seller na plataforma e fez tudo sozinha inicialmente. A resposta positiva veio diretamente dos leitores e depois de algum tempo como autora independente ela fechou com a editora Valentina e lançou agora em 2015 Não Pare! e Não Olhe!. O terceiro livro da série saí em breve.

Já conhece a capa antiga de Não Pare! ? Uma comparação de como era e como ficou.

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Todas as 3 capas, por sinal, ficaram diferentes no projeto gráfico da editora Valentina. Como li a versão do ebook atualizada, não sei dizer quais as diferenças com relação a diagramação, apesar de ter amado a atual também no livro impresso.
E aí? Curtiu o post?

XoXo

[RESENHA] ANARDEUS – WALTER TIERNO

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ISBN: 9788578552053

Ano: 2013

Páginas: 184

Língua: Português

Editora: Giz Editorial

Preço Médio: 25,00

Skoob | GoodReads

Anardeus nasce feio, cresce ignorado e se torna um adulto desagradável. Sente muito frio, o tempo todo, e só desfruta o conforto do calor quando testemunha tragédias e horrores. Ele odeia tudo e todos, menos sua irmã gêmea, Isabel, sua antítese: linda, amável e cheia de calor.
Anardeus, com a sua personalidade detestável, é um anti-herói incomum e, por isso mesmo, tão interessante. O mundo não deseja Anardeus. Anardeus não deseja o mundo. Mas terão que viver juntos até o final apocalíptico e perturbador.
Anardeus, no calor da destruição tem como cenário São Paulo e seus personagens cínicos, loucos, egoístas. Um romance sem rótulos ou lugar-comum, para ler e sentir tudo – menos indiferença.

É difícil falar exatamente do que se trata Anardeus, mas uma coisa eu tive certeza: eita livrinho intenso. Eu senti como se fosse um soco no estomago, sabe? De tão crua, real, cruel e “doida” essa história é e de como ela foi tão bem desenvolvida pelo Walter Tierno.

Para começar, esse não é um livro de leitura fácil e não é por conta da complexidade do texto, nem nada do tipo. Anardeus trata de situações intensas e muitas vezes tabu, deixando o leitora desconfortável em algumas passagens em que você pensa “que merda é essa?”. Mas quanto mais intenso ele ficava, mais eu me envolvia e queria essas “tapas de realidade” dadas em meu rosto. É o tipo de experiência que poucos livros te proporcionam.

Dividido em três narrações (Anardeus, O Fotógrafo e Isabel), conta a história de irmãos gêmeos que são diferentes em tudo: Isabel é quente como o fogo e calorosa com todos ao seu redor, conquistando todo mundo com um poder de sedução indescritível e beleza fora do comum. Já Anardeus é frio, calculista, apático e descrito como um homem de aparência detestável. Ele sente muito frio o tempo inteiro – enquanto sua irmã sente muito calor sempre – e os raros momentos em que esse frio não o faz precisar vestir inúmeras camadas de roupas são quando está presenciando (ou desejando até acontecer) algo trágico, como um acidente de metro ou um avião destruindo um prédio.

A crueldade no livro não vem só quando essas tragédias acontecem, mas também ao mostrar a vida que Anardeus levou desde que nasceu. Fruto de uma família desestruturada, sempre foi rejeitado por todos enquanto via sua irmã ser exaltada em diversos aspectos. Isso poderia causar um atrito entre os irmãos, porém, eles têm uma relação bem intensa e que muitas vezes cai no tema tabu. Sim, é isso mesmo que você está pensando e algumas pessoas vão querer fechar o livro nesses momentos, mas vai por mim: continue.

O plano de fundo dessa história é o que faz o livro ser tão bom, além do modo que Walter narra todas as situações com tanta realidade. Nele não tem meias palavra e por isso eu reforço que não é uma leitura fácil, muito menos para quem ainda não atingiu certa maturidade. Anardeus é o típico anti-herói que muita gente pode odiar, porém, você acaba abraçando a causa dele e torcendo por mais que ele seja cínico, cruel, egoísta e, utilizando a única palavra para descrevê-lo, escroto. Não existe um personagem bonzinho nesse livro, nem mesmo Isabel que sempre teve tudo de mão beijada por ser tão linda e sensual. Ela tem seus momentos de crueldade, só mostrando que existe um pouco de maldade dentro de cada ser humano.

E colocar São Paulo como o cenário dessa história só torna tudo mais perfeito. Eu sempre sinto certa melancolia em São Paulo, por ser uma cidade tão grande e com pessoas tão diferentes. É o típico lugar com milhões de pessoas, mas que você vai se sentir sozinho mesmo no meio da Avenida Paulista lotada. Anardeus se sentia sozinho no meio dessa megalópole e talvez seja essa a explicação para tanto rancor no seu coração. Se bem que, ao terminar o livro, você duvida muito que Anardeus, ou até mesmo Isabela, tenha coração. Eles tinham uma missão nesse mundo e souberam cumprir direitinho, mesmo que para isso você tenha que terminar com uma tragédia já esperada, mas que não tira o brilho desse livro que só reforça que temos sim autores brasileiros incríveis e histórias maravilhosas.

Beijos 🙂

[RESENHA] A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

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ISBN: 9788565765695

Ano: 2015

Páginas: 419

Língua: Português

Editora: Editora Seguinte

Preço Médio: 34,90

Skoob / GoodReads

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Livros que causam muito barulho na mídia me deixam, ao mesmo tempo, com o pé atrás e muito ansiosa para ler. Foi assim com todas as distopias teen dos últimos 5 anos e não poderia ser diferente com A Rainha Vermelha. Depois de semanas vendo praticamente todas as booktubers gringas falando sem parar sobre essa nova série, resolvi me jogar.

ATENÇÃO. A resenha pode conter spoiler. Avisados desde já.

Seguindo o molde de todas as distopias adolescentes, temos uma nova ordem mundial. De um lado temos os “Vermelhos”, que são os humanos normais, com sangue vermelho e que vivem em uma situação precária de pobreza, trabalho pesado e desigualdade. Do lado rico, temos os “Prateados” que são super-humanos com sangue prateado e poderes que os tornam imbatíveis. São ricos, poderosos e tornam as vidas dos Vermelhos um inferno, com trabalho quase escravo e uma guerra interminável.

Ao completar 18 anos, os jovens que não tiverem um emprego são mandados para a guerra e fim de papo. Seja menino ou menina, se você não tiver uma utilidade naquela sociedade vai ter que ir para o campo de batalha e rezar para sobreviver dia pós dia. Mare Barrow é um desses jovens sem futuro. Ela nunca foi muito boa na escola e não se encaixava em nenhuma função de aprendiz que a livrasse da vida militar, além de ser uma “mão leve” que rouba as pessoas para conseguir um pouco de dinheiro. Ao contrário de sua irmã mais nova, que é um talento para a costura, Mare sabe muito bem que seu destino é ir para o front de batalha e esperar o dia de morrer naquela guerra.

Por causa de um erro seu, a irmã de Mare perde o emprego de aprendiz e amarga a possibilidade de precisar se juntar ao exército do rei quando completar 18 anos, já que a chance de conseguir um novo tutor para ensiná-la uma nova profissão é baixíssima. Mare se sente culpa até o último fio de cabelo, claro. Mas sua sorte muda quando ela conhece um garoto um pouco mais velho que ela em uma noite.

O tal garoto a escuta se lamentar sobre seus problemas e como ela logo precisará deixar sua família por causa do serviço militar. Ele diz trabalhar no castelo e consegue ajuda-la ao conseguir um emprego lá também. No dia seguinte, Mare é levada para o castelo para começar a trabalhar como empregada lá, justamente no grande evento da monarquia: a seleção para a futura rainha de Norta.

É aí que o livro parece que vai dar uma de A Seleção da Kiera Cass, mas a diferença na hora de escolher a esposa do Príncipe Cal é que as candidatas não precisam desfilar suas belezas e sim suas habilidades. Como todo “Prateado” tem um poder, as garotas demonstram seus poderes em uma arena e a melhor irá se casar com Cal, juntando-se a ele na guerra para proteger o país. Duas coisas acontecem durante o evento: Mare descobre que o tal garoto que a ajudou conseguir o emprego na verdade é o Príncipe Cal e que ela tem poderes de “Prateado”.

Um “Vermelho” ter poderes de “Prateado” é algo inédito e todos os presentes mal conseguem acreditar quando veem Mare produzindo raios de eletricidade no meio da arena. Rapidamente o rei e a rainha de Norta tentam controlar a situação da melhor maneira, que obviamente é a que irá colocar Mare naquele mundo podre da elite “Prateado” para sustentar uma mentira.

Controlando os dedos para não dar mais spoiler nessa resenha, posso dizer que A Rainha Vermelha é claramente inspirado em diversos livros, mas tem sua própria identidade como história. Além de A Seleção, notei também uma referência a Jogos Vorazes com a semelhança entre Mare e Katniss. As duas têm personalidades bem fortes e são decididas apesar de estarem em um mundo que pessoas poderosas querem manipula-las. Inclusive, Mare é chamada de “garotinha elétrica” por causa de seu poder e na hora eu pensei em como Katniss é chamada de Garota Em Chamas.

Outra semelhança entre as duas é que Mare não precisa de um romance para ter importância na história, um dos pontos positivos no livro. Mare pode até ter seu príncipe prometido (o irmão mais novo de Cal, Maven) mas a autora pouco explorou o romance ou criou um triangulo amoroso que é massivamente relatado nas distopias jovem-adulto. Mais importante que estar entre dois garotos disposto a esquecer os laços sanguíneos por causa dela, é a verdadeira luta que cada personagem tem dentro daquele mundo.

E por último eu senti uma coisa meio Game of Thrones, umas vibe Cersei vindo da Rainha Elara. Mas não vou dizer muito para não estragar o livro ao revelar coisas importantes para desenrolar a trama, esse que me surpreendeu no grande plot twist que ocorre.

A Rainha Vermelha me deixou realmente satisfeita, pois eu senti que a autora não subestimou a capacidade intelectual do leitor ao encher linguiça com romance. O primeiro livro apresentou bem esse novo mundo e os personagens envolvidos, dando um nó na minha cabeça quando é revelado quem é o verdadeiro vilão dessa história. Tem a parte política que falou em A Seleção, tem uma personagem principal sem frescura e terminou da maneira que eu gosto: me deixando querendo logo saber o que vai acontecer.

Dá pra colocar o manuscrito de A Rainha Vermelha 2 na minha mesa amanhã, Victoria?

Resenha: Garoto Encontra Garoto – David Levithan

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ISBN: 9788501047779

Ano: 2014

Páginas: 240

Língua: Português

Editora: Galera Record

Preço médio: R$ 25,00

Ebook: R$ 16,15

Sinopse: Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola… E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!

Poderia ser mais um jovem-adulto sobre amor. A fórmula é a mesma: casal se conhece, se apaixonam, algo acontece para separá-los e passamos alguns capítulos sofrendo até que eles ficam juntos novamente. O grande diferencial de Garoto Encontra Garoto é justamente viver a mesma história de amor juvenil sob a perspectiva de um adolescente gay.

Paul vive em uma realidade bem diferente dos garotos gays de sua idade; ele é assumido e feliz. Seus pais o aceitam com todo amor do mundo, a escola em que ele estuda dá liberdade para que os alunos gays possam viver em paz, além de ser totalmente diferente em diversos aspectos. As líderes de torcida se apresentam em motos Harley Davidson. O quaterback do time é uma drag-queen que prefere atender pelo nome de Infinite Darlene e ocasionalmente os meninos heterossexuais se apaixonam por meninos.

Ele conhece Noah em uma livraria e descobre que ele é o novo aluno de sua escola, os dois se conectando logo de cara. Noah é o típico garoto com mente de artista, o que deixa Paul ainda mais apaixonado e pronto para se envolver com alguém depois do fim de um relacionamento nada legal. Mas é claro que nós temos que sofrer um pouco antes deles ficarem juntos “felizes para sempre”. Paul acaba cometendo um erro e machucando Noah, sendo obrigado a ralar para reconquistar sua confiança e amor, já que Noah também teve o coração partido pelo ex-namorado.

Como se não bastasse tem que correr atrás e provar para Noah que eles podem ser felizes, Paul ainda tem que ajudar Tony, seu amigo com pais extremamente religiosos que não aceitam que o filho é gay, e também precisa lidar o fato da melhor amiga Joni estar namorado o maior babaca preconceituoso da escola. É tanto problema na vida de Paul que a história poderia ser o mais dramática possível, mas é justamente o contrário.

Eu ainda não li os outros livros do autor (Todo Dia e Will & Will) mas definitivamente vou correr para conferi-los, pois David Levithan tem aquele jeito gostoso de escrever, sabe? Como John Green e Rainbow Rowell. Eles têm esse dom de falar sobre assuntos que são polêmicos e pesados de uma forma fofa, que te faz mais rir do que chorar. Em Garoto Encontra Garoto, ele faz arder aquela chaminha de esperança de um dia termos um mundo como o de Paul, onde os garotos gays possam viver em paz com sua orientação sexual e a sociedade seja o menos preconceituosa possível. O livro já tem mais de 10 anos e ainda assim não tivemos tantos avanços como os que David um dia imaginou para esses adolescentes que só querem ser felizes. Um quaterback que anda de salto-alto e maquiagem pelos corredores da escola ainda choca muito as pessoas e Infinite Darlene não teria essa liberdade toda para ser quem ela quer.

Porém, podemos viver um pouco nesse mundo ideal na história de David Levithan. Lá, Paul não precisa lutar contra os pais para viver da maneira que deseja e tem um trecho em que ele e Tony estão conversando que mostra exatamente como ele tem sorte:

“Quando conheci você, não podia acreditar que alguém como você pudesse existir, e nem que uma cidade como a sua pudesse existir. Eu achava que entendia as coisas. Pensava que acordaria todas as manhãs com um segredo e iria dormir todas as noites com o mesmo segredo. Achava que minha vida só começaria quando eu estivesse longe daqui. Sentia que tinha descoberto uma coisa sobre mim cedo demais, e que não havia nada que eu pudesse fazer para reverter a verdade. E eu queria reverter, Paul. Aí, conheci você na cidade e no trem, e de repente pareceu que uma porta foi aberta. Vi que não podia viver como vinha vivendo, porque agora havia outra maneira de levar a vida. E parte de mim amou isso. E parte de mim odeia. Parte de mim, essa parte escura e apavorada, deseja que eu jamais tivesse descoberto como poderia ser. Não tenho a coragem que você tem…”

É exatamente isso que Garoto Encontra Garoto traz para o leitor; uma porta aberta. Para aqueles garotos que descobriram essa tal verdade cedo demais como Tony e tem medo, sabem que não serão aceitos pelos pais e sociedade. Que vão pegar esse livro e se agarrar a essa esperança que o autor passa através de uma história tão simples e que tantas outras vezes contadas de forma diferente, mas com a mesma intenção.

É apenas um garoto que conheceu um garoto, se apaixonaram e vão lutar por esse amor. Como não amar, hein?

Beijos 🙂

Resenha: O Plano é o Amor – Neiva Meirele

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ISBN: 9788578552480

Ano: 2015

Páginas: 192

Língua: Português

Editora: Giz Editorial

Preço Médio: 29,90

Sinopse: Giovana acabara de realizar um grande sonho: casar com Rick, o amor de sua vida, ela não poderia estar mais feliz. Mas essa nova etapa que tanto fantasiou começou a se tornar um grande pesadelo. Constantemente testada, ela vivia sem forças, sentia–se sugada e prestes a se entregar, a ponto de desistir de seu plano de felicidade.

E, muitas vezes, sentindo–se abandonada, ela chegou ao ponto–limite de suas forças quando viu o caos se instalar em sua vida. Então, uma habilidade especial, algo que ela nunca deu muita atenção sobre si mesma, reapareceu, o sinal, algo que ela desejou, imediatamente aconteceu. Pensou que tudo iria melhorar… Mas há um plano para ela.

E Giovana sabe que ainda tem muito a aprender. Venha se emocionar com uma história sobre o perdão, reconciliação e, sobretudo, a Fé.

Devo começar a resenha dizendo que, ao receber o livro para ler, eu não imaginei que ele fosse ser da forma que transcorreu durante a leitura. A sinopse indicava um romance bem Nicolas Sparks, sabe? Com drama, lágrimas, amor que só desenrola na última linha da última página. Mas “O Plano é o Amor” vem falar de outro tipo de amor; a fé. O amor por Deus e como ele pode transformar a vida das pessoas.

Giovana sabia que era escolhida por Deus e tinha uma missão na terra desde nova, até então desconhecida. Ela era apaixonada pelo marido Rick e juntos eles viveram lindos 5 anos de amor e companheirismo, até que a tia de Rick, que o criou como um filho, entra na vida do casal. Por questões financeiras, eles têm que morar com a tia Neli e essa senhora também tem uma missa de vida: infernizar a vida de Giovana e afastá-la de Rick.

Desde o primeiro segundo que Neli aparece na história ela é a personificação da sogra diabólica, daquelas clássicas que todo mundo te alerta que um dia você terá na vida e será literalmente um inferno. Neli não mede esforços para alfinetar Giovana em tudo que ela faz, desde sua rotina em casa, sua comida, o fato de ela e Rick ainda não terem um filho. Tudo é motivo para falar sem meias palavras e muitas vezes de forma agressiva, com palavrões hardcore. Mas Giovana aceita tudo calada, algo impressionante. Tá pra nascer uma pessoa tão “alma elevada” como ela para aguentar tantas porradas que Neli dá diariamente, às vezes sendo até mesmo exagerado como alguém consegue manter tanto a calma e a classe naquela situação.

O que leva a outra questão que me incomodou um pouco na história. Rick, vendo a mulher sofrer tanto com a implicância da tia e muitas vezes sendo a vítima do temperamento de Neli, nada faz para reverter a situação. Ok, ele respeita a tia e a considera uma mãe, mas em diversos momentos eu senti falta de ele ser “homem”, sabe? De chegar e falar que não é nada ok a tia tratar a mulher daquele jeito e baixar um pouco a bola dela. Ao invés disso, Rick pede que Giovana tenha paciência, que as coisas irão melhorar para eles um dia, tirando o problema das costas dele para não criar uma desavença ainda maior em casa. E Giovana tem paciência, claro. Porque ela é um poço de paciência em meio a aquele caos.

Cada dia que passa e Neli fica mais e mais agressiva com Giovana, sua missão na terra fica mais clara: ela precisa mostrar a Neli o caminho da fé e livra-la dos “demônios” que estão a deixando daquela forma. Foi nesse ponto da história que eu entendi qual era o verdadeiro tema do livro. A autora escolheu abordar esse lado da religião, que envolve possessão demoníaca, espíritos do mal comandando a vida de alguém e como a fé é capaz de mudar a vida das pessoas. Meu “problema” com o livro não foi ele falar sobre religião, até porque um dos meus livros favoritos (A Menina que Fazia Nevar) tem essa temática também. Mas foi o jeito que a religião foi desenvolvida. Eu simplesmente não fui cativada pelo jeito que as coisas transcorreram, já imaginando como seria o final quase na metade do livro.

Não foi uma história que mexeu comigo ou me envolveu a ponto de eu torcer pelos personagens. Como mencionei, Giovana é tão paciente que eu acho improvável alguém ser desse jeito, independente da fé da pessoa. E Rick não se mostrou ser esse homem perfeito e apaixonado que Giovana descrevia, sendo imparcial demais em relação a rincha da tia com a esposa e pulando do barco nas horas de tempestade para se salvar e deixando a esposas a mercê das maldades.

A autora escreve bem e desenvolveu uma história de maneira linear, porém, foi uma história que não serviu pra mim. Acho que quem se interessa mais pelo assunto vai adorar o livro, até porque ele tem passagens bíblicas em cada capítulo e menções de músicas gospel, então O Plano é o Amor será um excelente livro de leitura rápida e bem escrito para os interessados no tema.

Beijos 🙂

Resenha: A Mais Pura Verdade – Dan Gemeinhart

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ISBN 9788581636337

Ano: 2015

Páginas: 225

Língua: Português

Editora: Novo Conceito

Preço Médio: 16,90

Sinopse: A Mais Pura Verdade – Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.

Não poderia existir título mais apropriado para esse livro do que “A Mais Pura Verdade”. Sabe aquela frase/meme “só li verdades” que a galera da internet usa? É exatamente isso que senti ao ler o livro de Dan Gemeinhart: verdades, apenas isso. É a história nua e crua sobre um garoto que sabia que iria morrer e queria ter seus últimos momentos da forma que ele desejou.

Mark decidiu fugir de casa com seu cachorro Beau como qualquer garoto de sua idade faria. A diferença é que Mark está doente e ele precisava realizar seu grande desejo; chegar ao topo do Monte Rainier. Para isso, ele juntou dinheiro, se armou com sua câmera fotográfica e caderno e seguiu na companhia do seu melhor amigo de quatro patas até o destino desejado. Obviamente sua família fica desesperada e sua melhor amiga, Jess, é a única que sabe para onde ele foi ao descobrir o bilhete que Mark deixou antes de partir. Mas Jess sabe também o motivo de ele ter ido para o monte e se vê em um dilema: deixar ou não o amigo realizar esse desejo?

O livro mexe com você em diversos aspectos. Primeiro você se ver com pena de Mark por saber de sua doença e vê-lo passar por todos aqueles problemas em sua jornada. Ao mesmo tempo eu fiquei com o coração na mão por causa de sua família desesperada para encontra-lo logo já que Mark precisa continuar com o tratamento. Fiquei dividido entre querer que Mark volte para casa e fiquei bem e que ele continua sua jornada para realizar aquele desejo. Nessa história, não existe um caminho certo e adequado, o que só torna a experiência de lê-la ainda mais sofrível.

Mas, sem dúvida alguma, a melhor parte da história é a relação de Mark com Beau. Só que tem um cachorro ou animal de estimação de qualquer tipo entende esse amor doido que sentimos por esses bichinhos e como eles são as criaturas mais fieis do universo. Beau não sai do lado de Mark em situação nenhuma, nem mesmo as perigosas, e em dado momento do livro eu soltei um grito de desespero achando que o autor iria sacanear a aquela altura da história. E mesmo se tivesse acontecido o pior, serviria para provar que Beau iria até o final com o Mark e que não existiria ninguém do mundo capaz de se sacrificar daquela forma pelo melhor amigo.

Além da companhia de Beau, Mark tem a sorte de cruzar o caminho de pessoas incríveis que irão ajuda-lo a chegar ao destino final e todos esses encontros ele registra com sua câmera fotográfica e anota em seu diário em forma de poemas haicais, que é a forma que ele e Jess se comunicam. Temos também flashbacks mostrando o desenvolvimento da doença, o tempo que Mark sofreu, pensou estar curado e teve recaídas. Tudo isso para reforçar a ideia: devo ou não torcer para que ele alcance seu objetivo, por mais que seja perigoso em diversos aspectos?

Me deliciei com essa leitura em uma tarde chuvosa, mal vendo o tempo passar conforme sofria página após página. No final eu estava tão tensa com tudo que me frustrei um pouco com a escolha do autor para “encerrar” a história de Mark. Novamente, e sem querer dar spoiler, você fica dividido entre o desejo de Mark e o desejo de sua família. Por mais que exista o certo e o errado baseado na natureza humana de querer o bem sempre, afinal você não deseja que o personagem principal de um livro se ferre quando você se apega a ele, ainda assim um final diferente iria me deixar feliz. Não “feliz” propriamente dizendo, mas satisfeita. O livro não se chama “A Mais Pura Verdade”? Então… A verdade às vezes não é a melhor opção, mas sim a realidade e era ela que eu estava esperando.

Talvez minha verdade seja diferente da verdade do autor, enfim. O que devo repetir é que a história de Dan Gemeinhart vai mexer com você de uma forma intensa, mas rápida, e logo você estará envolvido de uma forma doida. E como aconteceu comigo, não vai nem perceber quando final chegar e Mark (e Beau, claro) já tiver marcado sua vida.

Beijos

Resenha: Confissões On-line – Iris Figueiredo

ISBN: 9788563993748

Ano: 2013

Páginas: 240

Língua: Português

Editora: Generale

Preço médio: R$ 36,00

Sinopse: Prudência é uma característica que só consta no sobrenome de Mariana
Prudente. A menina viu sua vida mudar de cabeça para baixo em poucos meses: perdeu a popularidade, o namorado, a melhor amiga e o grande
sonho de fazer um intercâmbio. Agora, Mariana vê seu nome rabiscado nas cabines do banheiro da escola e escuta fofocas sobre ela pelos corredores do colégio e fica sem rumo. O vestibular se aproxima, sua irmã está enlouquecida por causa do casamento marcado, e tudo que ela quer é não pirar enquanto suporta os últimos meses no ensino médio.
Sem lugar para desabafar, Mari vê no ambiente virtual uma chance de descarregar todas as angústias do mundo off-line, criando o vlog “Marinando”. Com sua banda preferida como trilha sonora, ela conta com a ajuda de Arthur e Carina para mergulhar no mundo virtual e esquecer os problemas do mundo real. Com uma câmera na mão e alguns vídeos na internet, Mariana Prudente vê sua vida mudar mais uma vez, pois chegou a hora de sair dos bastidores e ser a protagonista novamente.

Beijos 🙂

Resenha: Silo – Hugh Howey

SiloHughHowey

ISBN: 9788580574739

Ano: 2014

Páginas: 512

Língua: Português

Editora: Intrínseca

Preço médio: R$ 30,00

Ebook: R$ 22,41

Sinopse: Silo – O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.

Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.

Ok; é mais uma resenha sobre uma distopia. Eu já tinha avisado no post sobre a série 12 Monkeys que esse era meu assunto favorito, seja para livro ou para filme, séries… Tem um mundo fodido, eu vou amar. E foi justamente isso que me fez entrar naquela fila da Bienal de SP, conhecer o autor e ficar viciada nessa história.

Algo aconteceu para tornar o ar do mundo tão poluído, que o mínimo de contato é o suficiente para você ser corroído até a morte. Sim, a pessoa quase dissolve ao entrar em contato com o ar. A solução foi abrigar os sobreviventes desse apocalipse em estruturas semelhantes aos silos utilizados no armazenamento de produtos agrícolas, mas equipados para que a vida continuasse da melhor maneira possível, com estrutura de água encanada, ventilação, iluminação e, claro, hierarquias de poder.

As pessoas vivem nesses tubos gigantescos – com centenas de andares subterrâneos – e existe uma loteria para que os casais possam ter filhos, para que tenha um controle da população lá dentro. Se uma mulher quiser engravidar, ela tem que esperar alguém no silo morrer para entrar no sorteio e ter esse privilégio de colocar mais um ser humano nesse mundo planejado, dentro de um prazo de 1 ano. Além de mortes por causas normais (como acidente de trabalho, idade, doença), existe uma forma extraoficial de fazer a loteria acontecer; a “pena de morte” aplicada a quem comete um crime muito grave.  Dentro da estrutura governamental do silo existe uma punição para os criminosos, que é sair do silo para realizar a limpeza das câmeras e janelas. Uma roupa especial, para evitar que a pessoa entre em contato com o ar, é disponibilizada para o criminoso, porém ninguém nunca retornou da limpeza vivo. De alguma forma, os materiais utilizados na montagem da roupa ainda não são suficientes para aguentar a poluição e eles vão se desfazendo também, a pessoa tendo poucos minutos antes de cair morta do lado de fora.

No livro, acompanhamos a história de Juliette a partir da morte do ex-xerife do lugar. Ela pertencia à mecânica, a parte mais profunda do silo onde poucas pessoas se arriscam ir. Mas é justamente a mecânica que faz essa máquina girar e é de lá que Juliette tem que sair para ocupar o lugar Holston, apesar de nem todos os líderes do lugar concordarem com sua eleição. Bernard, o chefe da TI (que é a parte mais misteriosa do Silo), é um dos que discordaram com a escolha de Juliette para o cargo e está disposto a tirá-la a qualquer custo.

Holston foi mandado para a limpeza por se envolver em uma investigação perigosa sobre o funcionamento do Silo,  incentivado por sua esposa que também foi mandada para a limpeza antes dele. Aparentemente, as coisas lá dentro não são tão simples assim. Juliette logo se ver envolvida na mesma investigação que o ex-xerife se meteu,. Os corpos dos dois jazem no exterior do Silo e resta a Juliette descobrir quais mistérios envolvem essa estrutura que eles moram.

Como era o mundo antes do Silo ser o lar daquelas centenas de pessoas? As histórias que são ensinadas as crianças e passadas de geração após geração são verdadeiras ou foram criadas para esconder algo muito mais perigoso? São inúmeras perguntas e Juliette está disposta a conseguir essas respostas, mesmo que custe a vida de pessoas que ela ama.

O que Hugh Howey fez em Silo foi colocar não só essas perguntas, mas muitas outras em sua cabeça conforme você passa as páginas. É um mundo tão misterioso, que em apenas 1 livro é impossível entender tudo. Nós somos introduzidos ao mundo de Silo no primeiro livro e aos poucos vamos obtendo respostas e novas perguntas vão surgindo. Como grande fã de distopia, essa é uma das melhores e mais bem escritas que eu já li.

Primeiro que eu saí um pouco da fase distopia teen que eu estava passando. Silo é adulto, sem mimimi de triângulo amoroso em meia a um mundo perdido. O foco principal do livro é desvendar os segredos escondidos nas centenas de andares do silo e é Juliette que irá nos conduzir nessa história. Outros personagens importantes vão surgindo ao decorrer do livro e acrescentando novos mistérios ou iluminando nossas mentes um pouco. Mas até você chegar ao final de Silo, sua cabeça já vai tá pegando fogo de tanta informação.

O livro alterna momentos de extrema tensão, onde você não sabe o que irá acontecer e quem irá sair vivo, com outros mais arrastados. É comum passar uns 3 capítulos sem acontecer muita coisa para no seguinte acontecer tudo e você ficar =O

Uma coisa que eu gostei bastante no livro foi a descrição dos ambientes e das situações. O autor é um grande fã de Ridley Scott, diretor de cinema conhecido por filmes como Alien e Prometheus. Então ele se inspirou bastante nos filmes de sci-fi do diretor, algumas cenas do livro sendo descritas bem no estilo de Ridley Scott. O melhor de tudo é que o próprio Ridley irá dirigir a adaptação para o cinema! Eu fiquei feliz por Hugh quando soube essa notícia, pois deve ter sido a realização de um sonho para ele.

Mesmo estando animada para o filme, acho que Silo funcionaria melhor como série de TV. O 1º livro já tem bastante informação importante que não pode ser deixada de lado, imagine os outros dois da série. Mas tenho fé que Ridley e sua equipe irão fazer um excelente trabalho. Pelo menos já temos garantido as cenas épicas de ficção científica que só Ridley sabe fazer e Hugh Howey escreveu tão bem em Silo.

O segundo livro da série, que na verdade conta como o mundo chegou a esse ponto dos silos serem necessários para a sobrevivência dos humanos, será lançado agora em Março e certamente vai furar a fila de leitura desse mês, porque não aguento mais de curiosidade.

Tive a sorte de conhecer o autor na Bienal de São Paulo ano passado e tirar uma foto com ela. Hugh é muito gente boa e estava super feliz com o carinho dos fãs brasileiros <3 #VoltaHugh

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E essa é minha edição autografada de Silo, que quase foi devorada por meu cachorro Bernard. Senti uma semelhança na crueldade de Bernard de Silo com Bernard versão canina.

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Beijos 🙂