Lançamentos Editora Valentina

9788558890021 Por um Triz

A escalada, incluídas todas as suas modalidades, é de longe o esporte que rendeu o maior número de livros em todo o mundo. Contam-se aos milhares os relatos publicados de viagens, expedições e escaladas avulsas, e há até prêmios específicos para este florescente gênero literário. No Brasil, a produção é ainda bem modesta, e quase toda centrada em expedições ao Everest ou a algumas poucas outras grandes montanhas geladas no exterior.

or um triz, no entanto, reúne uma impressionante coletânea de histórias vividas por um dos mais experientes escaladores do país nas suas montanhas domésticas, com belezas e dificuldades próprias que em nada ficam devendo, em termos de emoção, às vividas pelos escaladores de maciços rochosos mais famosos, embora sejam certamente diferentes em muitos aspectos. Assim, os relatos das famosas ascensões invernais aqui se veem substituídos por escaladas sob um calor debilitante, e a travessia de paredes instáveis de gelo e neve dá lugar a passagens igualmente precárias em vegetação. E há ainda, no caso do Rio de Janeiro, o maior centro de escaladas urbanas do mundo, situações tensas típicas (e, às vezes, bizarras) decorrentes de encontros na mata ou no acesso a elas com bandos de traficantes ou outros tipos portando uma arma em suas mãos.

É um livro, portanto, que deve agradar tanto a praticantes dedicados, que se identificarão com as situações nele descritas, quanto a leigos, que terão a chance de conhecer as peculiaridades de um esporte fascinante, que cresceu muito no Brasil nas últimas duas décadas.

QuandoFinalmente

Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, sendo o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade – e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.

Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica – e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

xoxo