Resenha: A Mais Pura Verdade – Dan Gemeinhart

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ISBN 9788581636337

Ano: 2015

Páginas: 225

Língua: Português

Editora: Novo Conceito

Preço Médio: 16,90

Sinopse: A Mais Pura Verdade – Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.

Não poderia existir título mais apropriado para esse livro do que “A Mais Pura Verdade”. Sabe aquela frase/meme “só li verdades” que a galera da internet usa? É exatamente isso que senti ao ler o livro de Dan Gemeinhart: verdades, apenas isso. É a história nua e crua sobre um garoto que sabia que iria morrer e queria ter seus últimos momentos da forma que ele desejou.

Mark decidiu fugir de casa com seu cachorro Beau como qualquer garoto de sua idade faria. A diferença é que Mark está doente e ele precisava realizar seu grande desejo; chegar ao topo do Monte Rainier. Para isso, ele juntou dinheiro, se armou com sua câmera fotográfica e caderno e seguiu na companhia do seu melhor amigo de quatro patas até o destino desejado. Obviamente sua família fica desesperada e sua melhor amiga, Jess, é a única que sabe para onde ele foi ao descobrir o bilhete que Mark deixou antes de partir. Mas Jess sabe também o motivo de ele ter ido para o monte e se vê em um dilema: deixar ou não o amigo realizar esse desejo?

O livro mexe com você em diversos aspectos. Primeiro você se ver com pena de Mark por saber de sua doença e vê-lo passar por todos aqueles problemas em sua jornada. Ao mesmo tempo eu fiquei com o coração na mão por causa de sua família desesperada para encontra-lo logo já que Mark precisa continuar com o tratamento. Fiquei dividido entre querer que Mark volte para casa e fiquei bem e que ele continua sua jornada para realizar aquele desejo. Nessa história, não existe um caminho certo e adequado, o que só torna a experiência de lê-la ainda mais sofrível.

Mas, sem dúvida alguma, a melhor parte da história é a relação de Mark com Beau. Só que tem um cachorro ou animal de estimação de qualquer tipo entende esse amor doido que sentimos por esses bichinhos e como eles são as criaturas mais fieis do universo. Beau não sai do lado de Mark em situação nenhuma, nem mesmo as perigosas, e em dado momento do livro eu soltei um grito de desespero achando que o autor iria sacanear a aquela altura da história. E mesmo se tivesse acontecido o pior, serviria para provar que Beau iria até o final com o Mark e que não existiria ninguém do mundo capaz de se sacrificar daquela forma pelo melhor amigo.

Além da companhia de Beau, Mark tem a sorte de cruzar o caminho de pessoas incríveis que irão ajuda-lo a chegar ao destino final e todos esses encontros ele registra com sua câmera fotográfica e anota em seu diário em forma de poemas haicais, que é a forma que ele e Jess se comunicam. Temos também flashbacks mostrando o desenvolvimento da doença, o tempo que Mark sofreu, pensou estar curado e teve recaídas. Tudo isso para reforçar a ideia: devo ou não torcer para que ele alcance seu objetivo, por mais que seja perigoso em diversos aspectos?

Me deliciei com essa leitura em uma tarde chuvosa, mal vendo o tempo passar conforme sofria página após página. No final eu estava tão tensa com tudo que me frustrei um pouco com a escolha do autor para “encerrar” a história de Mark. Novamente, e sem querer dar spoiler, você fica dividido entre o desejo de Mark e o desejo de sua família. Por mais que exista o certo e o errado baseado na natureza humana de querer o bem sempre, afinal você não deseja que o personagem principal de um livro se ferre quando você se apega a ele, ainda assim um final diferente iria me deixar feliz. Não “feliz” propriamente dizendo, mas satisfeita. O livro não se chama “A Mais Pura Verdade”? Então… A verdade às vezes não é a melhor opção, mas sim a realidade e era ela que eu estava esperando.

Talvez minha verdade seja diferente da verdade do autor, enfim. O que devo repetir é que a história de Dan Gemeinhart vai mexer com você de uma forma intensa, mas rápida, e logo você estará envolvido de uma forma doida. E como aconteceu comigo, não vai nem perceber quando final chegar e Mark (e Beau, claro) já tiver marcado sua vida.

Beijos

Resenha: Silo – Hugh Howey

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ISBN: 9788580574739

Ano: 2014

Páginas: 512

Língua: Português

Editora: Intrínseca

Preço médio: R$ 30,00

Ebook: R$ 22,41

Sinopse: Silo – O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.

Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.

Ok; é mais uma resenha sobre uma distopia. Eu já tinha avisado no post sobre a série 12 Monkeys que esse era meu assunto favorito, seja para livro ou para filme, séries… Tem um mundo fodido, eu vou amar. E foi justamente isso que me fez entrar naquela fila da Bienal de SP, conhecer o autor e ficar viciada nessa história.

Algo aconteceu para tornar o ar do mundo tão poluído, que o mínimo de contato é o suficiente para você ser corroído até a morte. Sim, a pessoa quase dissolve ao entrar em contato com o ar. A solução foi abrigar os sobreviventes desse apocalipse em estruturas semelhantes aos silos utilizados no armazenamento de produtos agrícolas, mas equipados para que a vida continuasse da melhor maneira possível, com estrutura de água encanada, ventilação, iluminação e, claro, hierarquias de poder.

As pessoas vivem nesses tubos gigantescos – com centenas de andares subterrâneos – e existe uma loteria para que os casais possam ter filhos, para que tenha um controle da população lá dentro. Se uma mulher quiser engravidar, ela tem que esperar alguém no silo morrer para entrar no sorteio e ter esse privilégio de colocar mais um ser humano nesse mundo planejado, dentro de um prazo de 1 ano. Além de mortes por causas normais (como acidente de trabalho, idade, doença), existe uma forma extraoficial de fazer a loteria acontecer; a “pena de morte” aplicada a quem comete um crime muito grave.  Dentro da estrutura governamental do silo existe uma punição para os criminosos, que é sair do silo para realizar a limpeza das câmeras e janelas. Uma roupa especial, para evitar que a pessoa entre em contato com o ar, é disponibilizada para o criminoso, porém ninguém nunca retornou da limpeza vivo. De alguma forma, os materiais utilizados na montagem da roupa ainda não são suficientes para aguentar a poluição e eles vão se desfazendo também, a pessoa tendo poucos minutos antes de cair morta do lado de fora.

No livro, acompanhamos a história de Juliette a partir da morte do ex-xerife do lugar. Ela pertencia à mecânica, a parte mais profunda do silo onde poucas pessoas se arriscam ir. Mas é justamente a mecânica que faz essa máquina girar e é de lá que Juliette tem que sair para ocupar o lugar Holston, apesar de nem todos os líderes do lugar concordarem com sua eleição. Bernard, o chefe da TI (que é a parte mais misteriosa do Silo), é um dos que discordaram com a escolha de Juliette para o cargo e está disposto a tirá-la a qualquer custo.

Holston foi mandado para a limpeza por se envolver em uma investigação perigosa sobre o funcionamento do Silo,  incentivado por sua esposa que também foi mandada para a limpeza antes dele. Aparentemente, as coisas lá dentro não são tão simples assim. Juliette logo se ver envolvida na mesma investigação que o ex-xerife se meteu,. Os corpos dos dois jazem no exterior do Silo e resta a Juliette descobrir quais mistérios envolvem essa estrutura que eles moram.

Como era o mundo antes do Silo ser o lar daquelas centenas de pessoas? As histórias que são ensinadas as crianças e passadas de geração após geração são verdadeiras ou foram criadas para esconder algo muito mais perigoso? São inúmeras perguntas e Juliette está disposta a conseguir essas respostas, mesmo que custe a vida de pessoas que ela ama.

O que Hugh Howey fez em Silo foi colocar não só essas perguntas, mas muitas outras em sua cabeça conforme você passa as páginas. É um mundo tão misterioso, que em apenas 1 livro é impossível entender tudo. Nós somos introduzidos ao mundo de Silo no primeiro livro e aos poucos vamos obtendo respostas e novas perguntas vão surgindo. Como grande fã de distopia, essa é uma das melhores e mais bem escritas que eu já li.

Primeiro que eu saí um pouco da fase distopia teen que eu estava passando. Silo é adulto, sem mimimi de triângulo amoroso em meia a um mundo perdido. O foco principal do livro é desvendar os segredos escondidos nas centenas de andares do silo e é Juliette que irá nos conduzir nessa história. Outros personagens importantes vão surgindo ao decorrer do livro e acrescentando novos mistérios ou iluminando nossas mentes um pouco. Mas até você chegar ao final de Silo, sua cabeça já vai tá pegando fogo de tanta informação.

O livro alterna momentos de extrema tensão, onde você não sabe o que irá acontecer e quem irá sair vivo, com outros mais arrastados. É comum passar uns 3 capítulos sem acontecer muita coisa para no seguinte acontecer tudo e você ficar =O

Uma coisa que eu gostei bastante no livro foi a descrição dos ambientes e das situações. O autor é um grande fã de Ridley Scott, diretor de cinema conhecido por filmes como Alien e Prometheus. Então ele se inspirou bastante nos filmes de sci-fi do diretor, algumas cenas do livro sendo descritas bem no estilo de Ridley Scott. O melhor de tudo é que o próprio Ridley irá dirigir a adaptação para o cinema! Eu fiquei feliz por Hugh quando soube essa notícia, pois deve ter sido a realização de um sonho para ele.

Mesmo estando animada para o filme, acho que Silo funcionaria melhor como série de TV. O 1º livro já tem bastante informação importante que não pode ser deixada de lado, imagine os outros dois da série. Mas tenho fé que Ridley e sua equipe irão fazer um excelente trabalho. Pelo menos já temos garantido as cenas épicas de ficção científica que só Ridley sabe fazer e Hugh Howey escreveu tão bem em Silo.

O segundo livro da série, que na verdade conta como o mundo chegou a esse ponto dos silos serem necessários para a sobrevivência dos humanos, será lançado agora em Março e certamente vai furar a fila de leitura desse mês, porque não aguento mais de curiosidade.

Tive a sorte de conhecer o autor na Bienal de São Paulo ano passado e tirar uma foto com ela. Hugh é muito gente boa e estava super feliz com o carinho dos fãs brasileiros <3 #VoltaHugh

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E essa é minha edição autografada de Silo, que quase foi devorada por meu cachorro Bernard. Senti uma semelhança na crueldade de Bernard de Silo com Bernard versão canina.

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Beijos 🙂