Jessica Jones

jessica jones

Que a função da Netflix é acabar com as nossas vidas não é novidade, né? Mas Marvel’s Jessica Jones atingiu níveis absurdos, chegando a ser a série mais assistida na Netflix no último semestre de 2015, desbancando até o sucesso de crítica Narcos. Ao mesmo tempo a série recebeu duras críticas, criando aquele clima de “ame-a ou deixe-a”, já que, pelo menos pra mim, ficou bem claro que você ou ama ou odeia Jessica Jones. eu faço parte do Team que ama desesperadamente

Se você esteve pescando no lago Titicaca nos últimos quatro meses e ainda não sabe quem é essa Jessica Jones que eu tanto falo, vai aqui a sinopse oficial da Netflix: Após um fim trágico de sua breve carreira de super-herói, Jessica Jones (Krysten Ritter) tenta reconstruir sua vida como uma detetive particular, lidando com casos envolvendo pessoas com habilidades notáveis em Nova York.

A primeira coisa que me chamou atenção na série foi a ausência de uma figura masculina protagonizando com a Jessica. De início, ela não tem pai, irmão, amigo, ficante ou namorado com ela. Ela é apenas Jessica Jones, a investigadora particular com super-poderes. O episódio continua e você acaba vendo mais interações com personagens femininos; a advogada Jeri Hogarth, a apresentadora e ex-atriz Trish Walker. Com o tempo, os personagens masculinos vão aparecendo, mas em momento algum eles roubam o protagonismo feminino na série, nem mesmo o próprio vilão da história, o Kilgrave, interpretado magnificamente por David Tennant. Barty Crouch Jr.

Aliás, o vilão é um dos pontos fortes da série. Kilgrave sempre está impecável, com seus trajes formais e nunca suja as mãos, afinal, não precisa. Tendo o poder de controlar mentes, ele sempre manda alguém para fazer o trabalho sujo. Tennant Doctor Who faz um trabalho excepcional mostrando um homem que parece até ser comum, frágil, o tipo de pessoa a qual não associaríamos a falta de escrúpulos característica de Kilgrave. Outra coisa digna de menção é a obsessão do personagem pela cor púrpura, uma referência aos quadrinhos, onde ele tinha a pele e os cabelos na tonalidade púrpura graças a um acidente químico. Até a própria série explora esse lado, usando e abusando de tons de roxo. achei tendência

Kilgrave

Outro ponto que me chamou atenção foi o modo como a personagem Jeri Hogarth — que nos quadrinhos é um homem — foi tratada. Ela é uma mulher, homossexual, casada, e em nenhum momento o seriado tentou usar isso para vender um fetiche. como outros estúdios por aí fazem A Jeri é o que ela deveria ser: apenas uma advogada casada e que não tem um pingo de princípios, sendo tratada com a normalidade que deveria lhe ser dirigida sempre.

A construção das personagens femininas em Jessica Jones também merece palmas. Finalmente temos uma variedade de mulheres que discutem algo além de cabelo, homem e roupa. Mas Thamy, qual é o problema de falar de cabelo, homem e roupa? Nenhum! Mas mulheres que só se juntam pra falar de superficialidades é um esteriótipo que já deu o que tinha que dar, e as mulheres já estão cansadas de serem representadas dessa forma.

A série também retrata vários tipos de relacionamentos abusivos e a própria protagonista sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em função de um relacionamento desse tipo. O modo como a estrutura psicológica dos personagens é explorada, permitindo que você acompanhe e se envolva no desenvolvimento e o crescimento dos personagens é genial. Temas polêmicos como culpabilização da vítima, estupro, aborto e uso de drogas também estão inseridos no enredo, com uma abordagem sensível, mas ao mesmo tempo imparcial.

Jessica e Kilgrave

Como nem tudo são flores… O enredo foi bem planejado, a execução eletrizante, prendendo o espectador desde o começo, mas nos últimos episódios se perdeu um pouco. A série não perde muitos pontos por causa disso, compensando com personagens fortes, boas sequências de luta e edição impecável.

No geral, Jessica Jones é uma série de super-heróis que mexe com a sua cabeça, te faz refletir sobre assuntos que você nunca pensou, mas você aproveita cada segundo. Junção perfeita de ação, drama e um pouco de humor ácido porque ninguém é de ferro, né?

E você, já assistiu Jessica Jones? Quer assistir?