[resenha] mentira perfeita, carina rissi

MENTIRA-PERFEITA

Ano: 2016
Páginas: 462
Língua: Português
Editora: Verus
Preço Médio: 29,90

Sinopse: Com Mentira Perfeita, Carina Rissi prova mais uma vez que o seu forte é contar boas histórias, com ritmo acelerado e repletas de paixão, humor e reviravoltas. Júlia não tem tempo para distrações. Ela é brilhante e sempre se esforça para ser a melhor naquilo que faz; por essa razão, sua vida pessoal acabou ficando de lado. Algo que sempre preocupou sua tia Berenice. Gravemente doente, a mulher teme que Júlia acabe completamente sozinha quando ela se for. Júlia faria qualquer coisa qualquer coisa mesmo! por tia Berê e, em seu desespero para agradar a única mãe que já conheceu, inventa um noivo enquanto torce por um milagre… E então o milagre acontece: Berenice se recupera e, assim que deixa o hospital, gasta todas as suas economias com o casamento dos sonhos para a sobrinha. Como Júlia pode contar a ela que mentiu, com a saúde da tia ainda tão frágil? É quando Júlia conhece Marcus Cassani. Ele é irritantemente cínico, mulherengo e lindo de um jeito que a deixa desconfortável. Marcus também está enfrentando problemas, e um acordo entre eles parece ser a solução. Tudo o que Júlia sabe é que deveria se afastar de Marcus. Mas seu coração tem uma ideia muito diferente… Mentira Perfeita é um spin-off de Procura-se Um Marido, uma história que se passa no mesmo universo da primeira. Aqui você vai conhecer novos personagens inesquecíveis, além de rever aqueles que já moram no seu coração.

 

Já vou começar pelos dois defeitos do livro: 1 a letra dele é muito pequena. 2 você vai ler ele rapidinho! E aí ele vai acabar e como tudo da Carina, você vai ficar chupando dedo e querendo muito mais. Como lidar?

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: Eu não li procura-se um marido. E fiquei bem feliz de saber que Mentira perfeita podia ser lido mesmo assim. Acredito que para quem leu, talvez sinta diferença. Quem não leu, com toda certeza está como eu: doida pra ler.

Júlia e Marcus estão fingindo ter um relacionamento para se safar de eventuais problemas. E cara, para quem ama muito os avós, tem uma relação de apego com eles, ou com outro parente mais velho, com toda certeza vai se identificar com a Júlia. Tá certo que no caso da Júlia é a tia, mas quanto mais eu ia me envolvendo com a leitura, mais eu meio que me via ali. Naquela situação. E me lembrava das alegrias que surgiam quando meu casamento ocupava boa parte das pautas da minha avó hahaha. Sim, isso mesmo. A Júlia resolve dizer para a tia que tem um noivo e ela prontamente já está arrumando a mesa de docinhos. O Marcus, que também entra nessa para se livrar dos próprios problemas, vê em Júlia uma oportunidade de também ter autonomia. Ele é cadeirante e obviamente sua família tem muito cuidado com ele. Juntos eles vão formar um casal inusitado, mas cara, funciona tão bem. O que de inicio é só um escape, ao longo do livro vai se tornando algo tão lindo!

O amor está por toda parte do livro: amor de família, amor de casal, amor de amigos. A Carina não deixou a desejar mais uma vez, escrevendo um livro super emocionante e muito, muito divertido. Obviamente não vamos dar spoilers, mas como já era de se esperar, a mentira desse casal é perfeita! Mesmo que a perfeição que eles imaginavam que alcançariam fosse outra.

Meu Mentira Perfeita já está devidamente separado para a pilha de – livros que preciso pegar meu autografo na bienal. hehehe

XoXo

[RESENHA] OS PRIMEIROS CONTOS DE TRUMAN CAPOTE

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Ano: 2016
Páginas: 160
Língua: Português
Editora: José Olympio
Preço Médio: 25,00

Sinopse: Reunião de contos inéditos, descobertos em 2013, na Biblioteca Pública de Nova York. Textos curtos e fortes, que já demonstram o talento para narrar histórias e a capacidade de empatia do autor, que se tornaria um dos mais importantes escritores do século XX com os emblemáticos Bonequinha de luxo e A sangue frio. Se os contos encontrados neste livro pudessem ser lidos como cinema, nos remeteriam aos filmes de Lucrecia Martel: as cenas são cotidianas e quase banais, mas ao entrar nas histórias, a sensação é de uma constante tensão. A atenção ao detalhe pareceria sem importância se não fosse um dos motores para sentirmos uma catástrofe iminente, que pode ser desencadeada a qualquer momento ou até não acontecer. De todo modo, ficamos muito próximos dos personagens e nos identificamos com eles, como se o autor tocasse na vida sem tentar explicá-la.

Capote é o autor de alguns dos meus cotos favoritos e também de um dos melhores livros que já li na vida, o A sangue frio.

Não pensei duas vezes quando vi que ele estava disponivel para solicitação. Para quem conhece o clássico filme Bonequinha de Luxo, o conto que deu origem ao filme foi escrito por ele.

Deixa eu comentar algo que acho extremamente importante: a edição do livro, publicado pela José Olympio – Grupo Editorial Record – está impecavel. Páginas amareladas, diagramação limpa e o material da capa é mega agradavel.

O conteúdo, é claro, é um espetáculo. Já sou fã do trabalho dele, mas os sete contos que fazem parte do livro transformam o contidiano ordinário em extraordinário. Escritos durante sua juventudo, já mostram claramente o talento que foi aprimorado ao longo dos anos.

Como sempre, Capote conseguiu me emocionar e desejar por mais a cada virada de página. Vale destacar os contos Isto é para Jamie – se você gosta de cachorros, prepare o coração! – Louise – que me incomodou um bocado, mas de uma forma boa, pois me fez analisar um montão de coisas. – e O Trânsito para o Oeste – que tem uma estrutura diferente, mas não estragarei a surpresa para vocês.

Se você não conhece o trabalho do autor, vou indicar cheia de amor no coração seus livros de contos. E este livro, por ser dos primeiros contos dele, com toda certeza já mostra para os possiveis novos leitores o que ele tem para oferecer. Como David Ebershoff, da Random House escreveu sobre o autor, estes primeiros contos “Mostram-nos o gênio antes do pleno florescimento.”

XoXo

[RESENHA] O livro de marcar filmes + fotos

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Já sou apaixonada pelo meu livro de marcar livros, então quando vi o livro de marcar filmes… já viu né? hehehe tive que ter um para mim. Eu adorei que ele seja tão completo. Quais seus filmes favoritos? Você já assistiu os vencedores dos principais festivais de cinema do mundo? E dos diretores nomeados e citados no livro, qual o seu favorito? Não é nenhum deles? Não tem problema, você pode colocar o seu por lá.

Achei essa edição ainda mais completa que a de marcar livros, tem até os hits mais famosos dos filmes! haha! Mas ao mesmo tempo que a edição é mais completa, tem menos espaço para preencher com suas opções e experiencias do que o de marcar livros. E levando em consideração que eu assisto tantos filmes quanto livros todos os anos… Na verdade acabo vendo até mais filmes, graças ao Netflix… ai, ai, ai… já vi que se eu me comprometer a preencher para valer, talvez tenha que ficar com 2 por ano! hahaha

Fica aí algumas fotos dessas gracinha! <3 Já tem o seu? Vamos trocar figurinhas?

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[RESENHA] Um passado sombrio, Peter Straub

Um Passado Sombrio Peter Straub

Ano: 2016
Páginas: 392
Língua: Português
Editora: Bertrand Brasil
Preço Médio: 32,90

Sinopse: Em 1966, um carismático e astuto guru, de passagem por um campus universitário do Meio-Oeste norte-americano, reúne um restrito grupo de discípulos, entre estudantes de colegial e universitário de fraternidade, num ritual secreto que resulta em um corpo horrivelmente dilacerado, um garoto desaparecido e as almas abaladas de todos os envolvidos. Quarenta anos depois, um escritor de relativo sucesso e amigo de infância da maioria dos garotos que participaram do ritual – além de marido de uma das garotas envolvidas –, sai em busca de informações sobre essa noite aterrorizante, com um projeto de livro em mente. Porém, para consegui-las, precisará não apenas reencontrar antigos colegas com quem perdeu o contato há décadas, mas também incitá-los a reexaminarem os eventos inomináveis que os têm assombrado desde então. Ao revelar as histórias individuais dos membros do grupo, Um Passado Sombrio eletrifica o leitor de maneira arrepiante e imprevisível – e prova que Peter Straub é, indiscutivelmente, um mestre do horror moderno.

Um grupo de cinco amigos é convidado para participar de um evento de um Sábio. Um dos amigos resolve não ir, não dando muita importância. O que seus outros 4 amigos (sua namorada, inclusa) acabam indo ao evento e participam de um ritual macabro. Isso vai marcar a vida de cada um de formas diferentes, mas durante anos vão se calar sobre o assunto.

Lee, o único dos amigos que não participou do ritual, é um escritor e resolve escrever um livro diferente dos outros que já foram lançados. Ele resolve então colocar o passado em foco e entrevistar os amigos e a esposa para entender tudo o que aconteceu. A ideia do livro é interessante, pois vamos absorver o que cada um dos participantes observou, vivenciou e guardou para si daquele ritual macabro, mas é por isso mesmo que se torna extremamente massante.
Compreendendo o que cada um passou, conseguimos identificar diferenças significavas, mas fiquei o tempo inteiro aguardando o terror. E isso se repetiu por todo o livro. Um pouco de suspense sim, mas como vamos acompanhar cada versão do ocorrido sem um grande respiro, a leitura vai se tornando massante. É como se o autor tentasse diferenciar bastante certos detalhes para o ponto de vista de cada pessoa, mas outros, muitas vezes só se repetem.

Como comentei: a ideia do livro é interessante, mas o terror que aguardava sentir nunca ocorreu. Fora que também achei um tanto bobo todos guardarem o segredo por tantos anos e só naquele momento, todos, com muita facilidade começam a se abrir.

Apesar disso, achei o final do livro bem sensato. Casou bem com a proposta e realmente fecha o arco do Lee, mata a nossa curiosidade sobre o ocorrido, mas como já comentei, o terror que você aguarda, ainda mais por ser um livro elogiado por Stephen King, nunca surge de verdade. Peter Straub tem outros 2 livros publicados no Brasil pelo selo Bertrand Barsil (Grupo Editorial Record). Mesmo conhecendo seu trabalho com um livro que não me cativou, confesso que fiquei bem curiosa para ler Mr X, que aborda como tema central a lenda de um doppelgänger.

 

XoXo

[Resenha] A Cor púrpura, Alice Walker

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Ano: 2016 (10º edição!)
Páginas: 336
Língua: Português
Editora: José Olympio
Preço Médio: 35,00

Sinopse: Em ‘A cor púrpura’ a personagem principal, Celie, negra, semianalfabeta, vivendo no Sul dos Estados Unidos, vive entre cuidar da família e planejar uma vida diferente da sua para a irmã, Nettie. Acompanhamos sua vida por mais de trinta anos, por meio das cartas que escreve para Deus e, posteriormente, para a irmã. Em oposição à solidão, pobreza, brutalidade e violência, Celie vai descobrir outras maneiras de sentir.

 

Crença, medo, machismo, violência, racismo… esses são alguns dos principais tópicos dessa obra sensível e que destaca como todas as mulheres devem ter a chance de se empoderarem. Como PRECISAM DISSO. E justamente por isso, não espere a romantização do sofrimento.

Já conhecia o filme, que é um dos melhores trabalhos do Spielberg para mim, mas só agora consegui ler o livro que assim como o filme, vou guardar em meu coração para sempre.

A cor púrpura não é uma leitura leve. E, por mais que eu já conhecesse a dureza da vida de Celie isso não me impediu de me sentir machucada ou apavorada ao longo da leitura.

Sua vida é miserável desde que ela entende o que é viver. Abusada por seu pai e depois por seu marido, ela não conhece amor, carinho, ternura e proteção é algo que jamais faria parte de seu dia-a-dia.

O racismo no livro, assim como o machismo são em altas doses e como feminista assumida, confesso que me incomodou demais. Não por ler uma ficção, mas por lembrar de quantas mulheres ainda passam pela mesma situação ao redor do mundo.

Um marido que a usa como se fosse uma escrava, das mais diversas maneiras. Celie é o infeliz retrato de muitas mulheres que não são ensinadas ou incentivadas a pensar, mas apenas a temer, por serem mulheres e o agravante em seu caso, por ser negra. É duro notar que ela é discriminada dentro de seu próprio lar.

Ao longo das páginas a angustia vai crescendo e acompanhamos os anos se passando, mas nada parece melhorar. É quando uma antiga paixão de seu marido aparece doente – e ela tem que cuidar da mulher que ele realmente desejava – que as coisas começam a mudar. Celie finalmente tem o contato com outra mulher, com alguém que tem experiências e que a ajuda a se impor. Ela também ajuda Celie a resgatar um tesouro perdido: as cartas da irmã que ela tanto ama, mas que seu marido escondia para que não tivesse contato com ela.

É assim que começa a nova jornada de nossa protagonista que vai lutar por sua vida, por sua paz. E vai ter um merecido final feliz.

A cor purpura é um livro completo, e presenteia a gente com diversas questões após a leitura. O pior, porém, é notar que muitas coisas que “aconteciam naquela época” continuam acontecendo até hoje.

Quantas Celies teremos que perder para mudar isso?

Fica a reflexão.

XoXo