Resenha: Silo – Hugh Howey

SiloHughHowey

ISBN: 9788580574739

Ano: 2014

Páginas: 512

Língua: Português

Editora: Intrínseca

Preço médio: R$ 30,00

Ebook: R$ 22,41

Sinopse: Silo – O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.

Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.

Ok; é mais uma resenha sobre uma distopia. Eu já tinha avisado no post sobre a série 12 Monkeys que esse era meu assunto favorito, seja para livro ou para filme, séries… Tem um mundo fodido, eu vou amar. E foi justamente isso que me fez entrar naquela fila da Bienal de SP, conhecer o autor e ficar viciada nessa história.

Algo aconteceu para tornar o ar do mundo tão poluído, que o mínimo de contato é o suficiente para você ser corroído até a morte. Sim, a pessoa quase dissolve ao entrar em contato com o ar. A solução foi abrigar os sobreviventes desse apocalipse em estruturas semelhantes aos silos utilizados no armazenamento de produtos agrícolas, mas equipados para que a vida continuasse da melhor maneira possível, com estrutura de água encanada, ventilação, iluminação e, claro, hierarquias de poder.

As pessoas vivem nesses tubos gigantescos – com centenas de andares subterrâneos – e existe uma loteria para que os casais possam ter filhos, para que tenha um controle da população lá dentro. Se uma mulher quiser engravidar, ela tem que esperar alguém no silo morrer para entrar no sorteio e ter esse privilégio de colocar mais um ser humano nesse mundo planejado, dentro de um prazo de 1 ano. Além de mortes por causas normais (como acidente de trabalho, idade, doença), existe uma forma extraoficial de fazer a loteria acontecer; a “pena de morte” aplicada a quem comete um crime muito grave.  Dentro da estrutura governamental do silo existe uma punição para os criminosos, que é sair do silo para realizar a limpeza das câmeras e janelas. Uma roupa especial, para evitar que a pessoa entre em contato com o ar, é disponibilizada para o criminoso, porém ninguém nunca retornou da limpeza vivo. De alguma forma, os materiais utilizados na montagem da roupa ainda não são suficientes para aguentar a poluição e eles vão se desfazendo também, a pessoa tendo poucos minutos antes de cair morta do lado de fora.

No livro, acompanhamos a história de Juliette a partir da morte do ex-xerife do lugar. Ela pertencia à mecânica, a parte mais profunda do silo onde poucas pessoas se arriscam ir. Mas é justamente a mecânica que faz essa máquina girar e é de lá que Juliette tem que sair para ocupar o lugar Holston, apesar de nem todos os líderes do lugar concordarem com sua eleição. Bernard, o chefe da TI (que é a parte mais misteriosa do Silo), é um dos que discordaram com a escolha de Juliette para o cargo e está disposto a tirá-la a qualquer custo.

Holston foi mandado para a limpeza por se envolver em uma investigação perigosa sobre o funcionamento do Silo,  incentivado por sua esposa que também foi mandada para a limpeza antes dele. Aparentemente, as coisas lá dentro não são tão simples assim. Juliette logo se ver envolvida na mesma investigação que o ex-xerife se meteu,. Os corpos dos dois jazem no exterior do Silo e resta a Juliette descobrir quais mistérios envolvem essa estrutura que eles moram.

Como era o mundo antes do Silo ser o lar daquelas centenas de pessoas? As histórias que são ensinadas as crianças e passadas de geração após geração são verdadeiras ou foram criadas para esconder algo muito mais perigoso? São inúmeras perguntas e Juliette está disposta a conseguir essas respostas, mesmo que custe a vida de pessoas que ela ama.

O que Hugh Howey fez em Silo foi colocar não só essas perguntas, mas muitas outras em sua cabeça conforme você passa as páginas. É um mundo tão misterioso, que em apenas 1 livro é impossível entender tudo. Nós somos introduzidos ao mundo de Silo no primeiro livro e aos poucos vamos obtendo respostas e novas perguntas vão surgindo. Como grande fã de distopia, essa é uma das melhores e mais bem escritas que eu já li.

Primeiro que eu saí um pouco da fase distopia teen que eu estava passando. Silo é adulto, sem mimimi de triângulo amoroso em meia a um mundo perdido. O foco principal do livro é desvendar os segredos escondidos nas centenas de andares do silo e é Juliette que irá nos conduzir nessa história. Outros personagens importantes vão surgindo ao decorrer do livro e acrescentando novos mistérios ou iluminando nossas mentes um pouco. Mas até você chegar ao final de Silo, sua cabeça já vai tá pegando fogo de tanta informação.

O livro alterna momentos de extrema tensão, onde você não sabe o que irá acontecer e quem irá sair vivo, com outros mais arrastados. É comum passar uns 3 capítulos sem acontecer muita coisa para no seguinte acontecer tudo e você ficar =O

Uma coisa que eu gostei bastante no livro foi a descrição dos ambientes e das situações. O autor é um grande fã de Ridley Scott, diretor de cinema conhecido por filmes como Alien e Prometheus. Então ele se inspirou bastante nos filmes de sci-fi do diretor, algumas cenas do livro sendo descritas bem no estilo de Ridley Scott. O melhor de tudo é que o próprio Ridley irá dirigir a adaptação para o cinema! Eu fiquei feliz por Hugh quando soube essa notícia, pois deve ter sido a realização de um sonho para ele.

Mesmo estando animada para o filme, acho que Silo funcionaria melhor como série de TV. O 1º livro já tem bastante informação importante que não pode ser deixada de lado, imagine os outros dois da série. Mas tenho fé que Ridley e sua equipe irão fazer um excelente trabalho. Pelo menos já temos garantido as cenas épicas de ficção científica que só Ridley sabe fazer e Hugh Howey escreveu tão bem em Silo.

O segundo livro da série, que na verdade conta como o mundo chegou a esse ponto dos silos serem necessários para a sobrevivência dos humanos, será lançado agora em Março e certamente vai furar a fila de leitura desse mês, porque não aguento mais de curiosidade.

Tive a sorte de conhecer o autor na Bienal de São Paulo ano passado e tirar uma foto com ela. Hugh é muito gente boa e estava super feliz com o carinho dos fãs brasileiros <3 #VoltaHugh

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E essa é minha edição autografada de Silo, que quase foi devorada por meu cachorro Bernard. Senti uma semelhança na crueldade de Bernard de Silo com Bernard versão canina.

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Beijos 🙂

Jéssica Guanabara

Faz doces por profissão, ama Oreo demais para uma pessoa normal e vive 24 horas com o celular na mão. No Twitter tá sempre reclamando de alguma coisa. Lê, escreve, assiste e nesse meio tempo recebe lambidas de Bernard, o dachshund mais bagunceiro do mundo.

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