[RESENHA] Entropia, Alexandre Marques

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Ano: 2016

Páginas: 304

Língua: Português

Editora: Record

Preço Médio: 25,90

Sinopse: Um ousado romance do mesmo autor de ”Parafilias”. Em ”Entropia”, Alexandre Marques Rodrigues mais uma vez mostra pleno domínio das técnicas narrativas: em um ousado romance, o autor se emaranha por toda a complexidade de seus personagens, em um enredo que se desconcentra na ideia, concretizada ou não, de viagem, de procura (ou será de fuga?) de si mesmo ou do corpo enterrado da mãe. Tudo cumprido, Alexandre Marques Rodrigues vai muito além. O jogo de identidades entre personagens – que perturba o leitor tanto quanto lhe impõe investigá-los, decifrá-los, mapeá-los, confirmá-los a cada página – é caso muito sério, ocasião em que a literatura capta o espírito dissolvido de um tempo sem que da engenharia do escritor se ouça o mais mínimo ruído.

O termo entropia é utilizado para explicar perdas irreversíveis, e pode ser empregado em diversos setores da atuação do universo existencial. No caso da termodinâmica, por exemplo, é a parcela da energia que se transforma em calor, não podendo mais ser revertida em forma de trabalho. – via dicionario informal.

Desafiador. Provavelmente o livro que mais demorei a ler este ano. Sim, desafiador, uma vez que sua diagramação é tão confusa propositalmente. Entropia mostra que Alexandre Marques Rodrigues quer mais que tirar o leitor de sua zona de conforto, que quer que ele realmente seja atencioso com o que está consumindo. Não é um simples livro de contos ou um livro sobre estrutura textual, mas um livro para despir os leitores com tamanha complexidade que enquanto escrevo a resenha me pergunto se realmente fui capaz de compreender totalmente a obra, que em breve quero reler, nem que seja para saber que não compreendi o suficiente.

Não é o tipo do livro que estamos acostumados. Não é limpo para nossa visão e nossa absorção, e justamente por isso se torna uma obra que merece destaque. O autor trabalha bem as relações humanas. Das mais comuns até as mais banais, de tal forma que você vai se pegar pensando e refletindo sobre o que leu. Ou se perguntando o motivo dos possiveis trocadilhos com nome de personagens, ou até mesmo ambientação de diferentes espaços tão iguais. Entropia oferece demais mesmo para o mais culto leitor.

Passado e presente, protagonista e coadjuvante andam juntos. Como já disse, é diferente de muito do que já li e justamente por isso, demorei bastante para terminar a leitura, pois em diversas vezes me vi incomodada pela proposital diagramação.

Já leu? Vamos trocar algumas figurinhas! hehehe Não leu? Pelamor! Pega emprestado e vamos papear!


Mirela Paes

Escritora de final de semana. Viciada em livros, filmes e séries. No twitter só fala bobagem o dia todo e é completamente apaixonada por cachorros.

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