[RESENHA] A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

CAPA-A-Rainha-Vermelha (1)

ISBN: 9788565765695

Ano: 2015

Páginas: 419

Língua: Português

Editora: Editora Seguinte

Preço Médio: 34,90

Skoob / GoodReads

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Livros que causam muito barulho na mídia me deixam, ao mesmo tempo, com o pé atrás e muito ansiosa para ler. Foi assim com todas as distopias teen dos últimos 5 anos e não poderia ser diferente com A Rainha Vermelha. Depois de semanas vendo praticamente todas as booktubers gringas falando sem parar sobre essa nova série, resolvi me jogar.

ATENÇÃO. A resenha pode conter spoiler. Avisados desde já.

Seguindo o molde de todas as distopias adolescentes, temos uma nova ordem mundial. De um lado temos os “Vermelhos”, que são os humanos normais, com sangue vermelho e que vivem em uma situação precária de pobreza, trabalho pesado e desigualdade. Do lado rico, temos os “Prateados” que são super-humanos com sangue prateado e poderes que os tornam imbatíveis. São ricos, poderosos e tornam as vidas dos Vermelhos um inferno, com trabalho quase escravo e uma guerra interminável.

Ao completar 18 anos, os jovens que não tiverem um emprego são mandados para a guerra e fim de papo. Seja menino ou menina, se você não tiver uma utilidade naquela sociedade vai ter que ir para o campo de batalha e rezar para sobreviver dia pós dia. Mare Barrow é um desses jovens sem futuro. Ela nunca foi muito boa na escola e não se encaixava em nenhuma função de aprendiz que a livrasse da vida militar, além de ser uma “mão leve” que rouba as pessoas para conseguir um pouco de dinheiro. Ao contrário de sua irmã mais nova, que é um talento para a costura, Mare sabe muito bem que seu destino é ir para o front de batalha e esperar o dia de morrer naquela guerra.

Por causa de um erro seu, a irmã de Mare perde o emprego de aprendiz e amarga a possibilidade de precisar se juntar ao exército do rei quando completar 18 anos, já que a chance de conseguir um novo tutor para ensiná-la uma nova profissão é baixíssima. Mare se sente culpa até o último fio de cabelo, claro. Mas sua sorte muda quando ela conhece um garoto um pouco mais velho que ela em uma noite.

O tal garoto a escuta se lamentar sobre seus problemas e como ela logo precisará deixar sua família por causa do serviço militar. Ele diz trabalhar no castelo e consegue ajuda-la ao conseguir um emprego lá também. No dia seguinte, Mare é levada para o castelo para começar a trabalhar como empregada lá, justamente no grande evento da monarquia: a seleção para a futura rainha de Norta.

É aí que o livro parece que vai dar uma de A Seleção da Kiera Cass, mas a diferença na hora de escolher a esposa do Príncipe Cal é que as candidatas não precisam desfilar suas belezas e sim suas habilidades. Como todo “Prateado” tem um poder, as garotas demonstram seus poderes em uma arena e a melhor irá se casar com Cal, juntando-se a ele na guerra para proteger o país. Duas coisas acontecem durante o evento: Mare descobre que o tal garoto que a ajudou conseguir o emprego na verdade é o Príncipe Cal e que ela tem poderes de “Prateado”.

Um “Vermelho” ter poderes de “Prateado” é algo inédito e todos os presentes mal conseguem acreditar quando veem Mare produzindo raios de eletricidade no meio da arena. Rapidamente o rei e a rainha de Norta tentam controlar a situação da melhor maneira, que obviamente é a que irá colocar Mare naquele mundo podre da elite “Prateado” para sustentar uma mentira.

Controlando os dedos para não dar mais spoiler nessa resenha, posso dizer que A Rainha Vermelha é claramente inspirado em diversos livros, mas tem sua própria identidade como história. Além de A Seleção, notei também uma referência a Jogos Vorazes com a semelhança entre Mare e Katniss. As duas têm personalidades bem fortes e são decididas apesar de estarem em um mundo que pessoas poderosas querem manipula-las. Inclusive, Mare é chamada de “garotinha elétrica” por causa de seu poder e na hora eu pensei em como Katniss é chamada de Garota Em Chamas.

Outra semelhança entre as duas é que Mare não precisa de um romance para ter importância na história, um dos pontos positivos no livro. Mare pode até ter seu príncipe prometido (o irmão mais novo de Cal, Maven) mas a autora pouco explorou o romance ou criou um triangulo amoroso que é massivamente relatado nas distopias jovem-adulto. Mais importante que estar entre dois garotos disposto a esquecer os laços sanguíneos por causa dela, é a verdadeira luta que cada personagem tem dentro daquele mundo.

E por último eu senti uma coisa meio Game of Thrones, umas vibe Cersei vindo da Rainha Elara. Mas não vou dizer muito para não estragar o livro ao revelar coisas importantes para desenrolar a trama, esse que me surpreendeu no grande plot twist que ocorre.

A Rainha Vermelha me deixou realmente satisfeita, pois eu senti que a autora não subestimou a capacidade intelectual do leitor ao encher linguiça com romance. O primeiro livro apresentou bem esse novo mundo e os personagens envolvidos, dando um nó na minha cabeça quando é revelado quem é o verdadeiro vilão dessa história. Tem a parte política que falou em A Seleção, tem uma personagem principal sem frescura e terminou da maneira que eu gosto: me deixando querendo logo saber o que vai acontecer.

Dá pra colocar o manuscrito de A Rainha Vermelha 2 na minha mesa amanhã, Victoria?

Jéssica Guanabara

Faz doces por profissão, ama Oreo demais para uma pessoa normal e vive 24 horas com o celular na mão. No Twitter tá sempre reclamando de alguma coisa. Lê, escreve, assiste e nesse meio tempo recebe lambidas de Bernard, o dachshund mais bagunceiro do mundo.

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