[Resenha] A Cor púrpura, Alice Walker

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Ano: 2016 (10º edição!)
Páginas: 336
Língua: Português
Editora: José Olympio
Preço Médio: 35,00

Sinopse: Em ‘A cor púrpura’ a personagem principal, Celie, negra, semianalfabeta, vivendo no Sul dos Estados Unidos, vive entre cuidar da família e planejar uma vida diferente da sua para a irmã, Nettie. Acompanhamos sua vida por mais de trinta anos, por meio das cartas que escreve para Deus e, posteriormente, para a irmã. Em oposição à solidão, pobreza, brutalidade e violência, Celie vai descobrir outras maneiras de sentir.

 

Crença, medo, machismo, violência, racismo… esses são alguns dos principais tópicos dessa obra sensível e que destaca como todas as mulheres devem ter a chance de se empoderarem. Como PRECISAM DISSO. E justamente por isso, não espere a romantização do sofrimento.

Já conhecia o filme, que é um dos melhores trabalhos do Spielberg para mim, mas só agora consegui ler o livro que assim como o filme, vou guardar em meu coração para sempre.

A cor púrpura não é uma leitura leve. E, por mais que eu já conhecesse a dureza da vida de Celie isso não me impediu de me sentir machucada ou apavorada ao longo da leitura.

Sua vida é miserável desde que ela entende o que é viver. Abusada por seu pai e depois por seu marido, ela não conhece amor, carinho, ternura e proteção é algo que jamais faria parte de seu dia-a-dia.

O racismo no livro, assim como o machismo são em altas doses e como feminista assumida, confesso que me incomodou demais. Não por ler uma ficção, mas por lembrar de quantas mulheres ainda passam pela mesma situação ao redor do mundo.

Um marido que a usa como se fosse uma escrava, das mais diversas maneiras. Celie é o infeliz retrato de muitas mulheres que não são ensinadas ou incentivadas a pensar, mas apenas a temer, por serem mulheres e o agravante em seu caso, por ser negra. É duro notar que ela é discriminada dentro de seu próprio lar.

Ao longo das páginas a angustia vai crescendo e acompanhamos os anos se passando, mas nada parece melhorar. É quando uma antiga paixão de seu marido aparece doente – e ela tem que cuidar da mulher que ele realmente desejava – que as coisas começam a mudar. Celie finalmente tem o contato com outra mulher, com alguém que tem experiências e que a ajuda a se impor. Ela também ajuda Celie a resgatar um tesouro perdido: as cartas da irmã que ela tanto ama, mas que seu marido escondia para que não tivesse contato com ela.

É assim que começa a nova jornada de nossa protagonista que vai lutar por sua vida, por sua paz. E vai ter um merecido final feliz.

A cor purpura é um livro completo, e presenteia a gente com diversas questões após a leitura. O pior, porém, é notar que muitas coisas que “aconteciam naquela época” continuam acontecendo até hoje.

Quantas Celies teremos que perder para mudar isso?

Fica a reflexão.

XoXo

Mirela Paes

Escritora de final de semana. Viciada em livros, filmes e séries. No twitter só fala bobagem o dia todo e é completamente apaixonada por cachorros.

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